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Quando caminhavam em direção a Emaús (cf. Lucas 24,13-35), os discípulos experimentaram um sentimento diferente no coração. Na partilha do pão, reconhecem a Jesus. Na conversa de volta, confessam entre si: "o nosso coração ardia quando Ele nos falava no caminho, explicando as Escrituras". A presença de Jesus provocou uma mudança radical na vida daqueles jovens. Eles sentem a necessidade de voltar para junto dos outros e contar-lhes a novidade: o Senhor está vivo! Nós o vimos. Ele falou-nos das Escrituras e comeu o pão conosco. Nosso coração ardia pelo caminho.
Assim deve ser nossa experiência espiritual. Experimentar o coração ardendo ao reconhecermos os benefícios recebidos do Senhor. E o melhor modo de corresponder ao seu amor é colocarmo-nos permanentemente, em vigília sem fim, na espreita, para defender a vida e devolver a esperança a tanta gente que padece toda sorte de injustiça, desigualdade, preconceito, abandono, etc. Uma mudança interior que abre caminho para a mudança das estruturas exteriores.
Trata-se de viver com mais qualidade, garantindo tempo para escutar a quem se aproxima de nós, e também para que pessoalmente eu encontre um tempinho durante o dia para rezar, ouvir uma música, praticar um esporte, andar à toa por alguns minutos, beijar a pessoa amada, abraçar um amigo, ler um livro, passar os olhos nos jornais, quem sabe até navegar pela Internet.
Dom Mário Zanetta, bispo de Paulo Afonso-BA, falecido em novembro de 1998, falando sobre a existência de Deus e o relacionamento que devemos ter com Ele, afirmava que "a noite do mundo não vem do fato que Deus não exista, mas do fato que os homens não advertem a sua presença. Precisamos acender luzes, iluminar o mundo". É este o desejo de Jesus, que sejamos luz para o mundo! (Mateus 5,13-16). Onde há alguma treva, devemos estar com nosso corpo iluminado para dissipá-la. É a presença do Espírito Santo que nos faz luzes para brilhar na terra como as estrelas no céu. Ninguém brilhe sozinho!
A mudança de atitude que o Espírito Santo provoca na vida de quem se deixa guiar por Ele é processo permanente. Nunca estaremos totalmente prontos, acabados, mas sempre em busca do equilíbrio, do vencer a si mesmo para estar melhor no momento seguinte. Nesta experiência nos alerta o grande escritor das Gerais, Guimarães Rosa: "O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam!".
A verificação da mudança de atitude poderá acontecer em dois níveis. No pessoal, quando percebo que deixando-me guiar pela vontade de Deus vou experimentando uma paz interior e uma felicidade que não é provocada por nada externo a mim. No interpessoal, quando as pessoas com quem convivo percebem em mim algo diferente; chegando até mesmo a tecer comentários: "algo diferente está acontecendo com você!" ou "é bom estar em sua companhia, conversar contigo!". Em ambos os níveis, é necessário que tal mudança seja conferida com a vontade de Deus, na oração.
Rezar é sentar-se com Deus, como se senta com um amigo, e falar-lhe dos sentimentos do nosso coração. A oração nada mais é do que uma conversa íntima que me leva ao encontro com o Outro. Gosto da definição do Diádoco de Fótico, séc. V: "A oração recorda ao coração o que ele jamais devia ter esquecido: a lembrança constante de Deus". Fazer de toda a vida um encontro permanente com Deus é o desafio para quem deseja viver seriamente a espiritualidade cristã.
Eliomar Ribeiro Conversando sobre o assunto 1. Já fiz alguma experiência de mudança de atitude em minha vida? Que sentimentos experimento quando penso nesta mudança? 2. Que posso fazer para viver com maior qualidade a cada dia? Sou daqueles(as) que anda com a agenda apertada ou tenho reservado também pra mim mesmo? 3 .Sinto necessidade de encontro com Deus na oração? Que tenho assumido como compromisso solidário para com os amados do Senhor?
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