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Já começou o massacre. E o pior, o presidente, pretenso paladino do bem, garante que isso é só o começo. E nunca saberemos quantos terão morrido, como não sabemos das mais de cem mil vítimas da agressão no Iraque. E o império quando quer atacar, qualquer argumento serve. Até um aceitável... Bastou Pilatos ter ouvido dizer que um mestre galileu ensinava que a César devia ser devolvido o que era dele, mas que a Deus devia ser devolvido o que dele fora tirado, bastou isso para mandá-lo crucificar. Terror de Estado, sempre pronto a se repetir quando o objetivo é destruir o mais fraco.
É verdade: os fins não justificam os meios, mas também é verdade que os meios não desqualificam os fins. Daí que, mesmo se a forma da ação foi terrível, inaceitável, seria necessário um mínimo de bom-senso para procurar compreender os motivos daquelas ações desesperadas da manhã de 11 de setembro.
O livro do Apocalipse, no seu capítulo 18, proclama, com direito a festa no capítulo seguinte, a queda da cidade orgulhosa, aquela com quem os reis da terra se locupletavam, à qual se dirigiam todos os navios e comerciantes da terra. Sua hecatombe paralisou o mundo, o comércio travou por toda parte, os negociantes chorando a queda da metrópole mas principalmente o fato de que não havia mais ninguém para comprar suas mercadorias, entre elas escravos e vidas humanas.
De modo algum a leitura aqui é a de identificar em eventos do presente a confirmação precisa dos oráculos do Apocalipse, como se costuma fazer por aí. Mas dificilmente haverá mera coincidência entre a cidade ora agredida e aquela alvejada pelas palavras agressivas do livro sagrado. Por que todas as mercadorias, tanto num caso como no outro, se dirigiam para lá? Por que a destruição das torres abalou o mundo inteiro e o massacre que o governo americano impôs ao Sudão foi praticamente ignorado? Por que o mundo tem de ter torres (e isso desde Babel) que concentram o poder, as riquezas e visibilizam a arrogância? Por que o mundo, depois de tanto tempo, não aprendeu a ter uma organização e uma distribuição dos bens mais equilibrada, de forma a não haverem nichos de opulência, potenciais alvos de quem se vê excluído, desprezado, humilhado, abusado, manipulado, destruído, saqueado, espoliado?
E não é engraçado, para não dizer trágico, que agora, depois dos ataques, os americanos se sintam mais inseguros que antes? Então por que a agressão? O argumento velho, que já vem dos romanos, já há muito manifestou sua ineficácia, mas é para ele que os belicistas de sempre apelam: "se queres a paz, prepara a guerra". Ou então podemos duvidar seriamente das intenções de paz dessa gente que se considera e age como dona do mundo...
Aliás, de coisas engraçado-trágicas esta história está cheia. Por que Bin Laden é agora a encarnação do príncipe das trevas, como no passado o fora Saddam Hussein, se tanto um como outro foram financiados pelos governos americanos para combateram as encarnações do mal de então? Onde está o bem, e onde está o mal? É possível avaliar as coisas assim de maneira tão maniqueísta?
Os meios não podiam ter sido aqueles, embora os donos do mundo talvez não tenham dado outra alternativa. Então o terrível acontecimento deveria soar como sinal, de que as torres precisam cair. Ou melhor: elas precisam ficar inúteis. Então certamente haverá festa no céu. Por ora só a barbárie, perpetrada agora pelos guardiões da civilização e da democracia....
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POR:
Pedro Lima Vasconcellos
Doutorando em Ciências Sociais, assessor do CEBI-SP, professor da PUC-SP, Instituto Teológico Pio XI e Instituto do Sagrado Coração (abelha@cidadanet.org.br)
Rafael Rodrigues da Silva
Mestre em Ciências da Religião, assessor do CEBI-SP, professor da PUC-SP,Instituto Teológico Pio XI, Instituto do Sagrado Coração e ITESP (rafaeli@cidadanet.org.br) |