VIDA SIM DORGAS NÃO!

Neste primeiro ano no novo milênio somos convidados pela Campanha da Fraternidade a refletir acerca de um dos graves problemas que afeta a humanidade o uso das drogas. As drogas cada vez mais se constituem um dos grandes pesadelos das famílias. Evidentemente, o uso das drogas vai de mãos dadas com a crise de valores e as incertezas que afetam os nossos jovens. Dizer um não às drogas equivale a travar uma luta pelo resgate da vida e da dignidade humana. "Os horizontes se fecham e as esperanças se reduzem. O caminho longo e penoso da reflexão, do diálogo e do compromisso é facilmente descartado em troca de alguma coisa que proporcione ao menos um alívio momentâneo e permite escapar do enfrentamento com a dura realidade. Não é surpreendente que adultos, jovens e até crianças procurem nas drogas um meio de fugir dos problemas... Na raiz de tudo está uma sociedade destituída de sentido verdadeiro para a vida humana" (texto-base, n. 68-69).

O que a Bíblia pode nos iluminar acerca da realidade das drogas? O que a Bíblia proclama como resgate da vida e da saúde? Como a Bíblia pode nos ajudar a defender o corpo? Na tradição de Israel encontramos os ensinamentos do livro de Provérbios. Nos capítulos 1 a 9 nos deparamos com uma série de ditos e máximas sentenciais na defesa da cultura da casa frente aos constantes perigos advindos da invasão helênica.

Na introdução geral destes capítulos (Pr 1,2-7) temos alguns ensinamentos gerais: conhecer a sabedoria e a instrução, entender palavras de prudência, receber instrução de entendimento, justiça, direito e eqüidade, ter sagacidade, ser sábio, adquirir sábios conselhos e entender provérbios e enigmas. Estes ensinamentos gerais demonstram a grande preocupação da casa (clã) por conservar suas tradições, sua história e, principalmente, dizer um sim para a vida e um não para o que está estragando a vida. Neste sentido os provérbios são introduzidos com a fórmula: "filho meu". São pequenos conselhos que indicam como caminhar e que escolhas precisam ser feitas. Ao lermos provérbios hoje, no tocante à defesa da vida e da contraposição aos contra-valores, devemos perguntar como nos ajudam no combate ao processo de empobrecimento e de banalização da vida e sujeição indiscutida ao princípio do lucro, de que a dependência das drogas é uma das cruéis conseqüências.

"Pega-te à correção e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida. Não entres pelo caminho dos injustos, nem andes pelo caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele, desvia-te dele e passa ao longe. Pois não dormem se não fizerem o mal, e foge deles o sono se não fizerem tropeçar alguém. Porque comem o pão da impiedade e bebem o vinho das violências... Filho meu, atenta para as minhas palavras, às minhas razões inclina o teu ouvido. Não as deixe apartar-se dos teus olhos; guarda-as no meio do teu coração. Porque são vida para os que as acham, e saúde para o seu corpo" (Pr 4,13-17.20-22). Estas palavras de ensinamento e de vida transmitidas pelos pais e mães de Israel apontam caminhos seguros e de vida e objetivam ajudar o povo a não cair nas amarras do que estraga a vida.

Assim, o drama das drogas nos remete a questões ainda mais amplas, que dizem respeito ao sentido que efetivamente a vida das pessoas tem condições de descobrir e construir. Não adianta isolá-lo.

POR:

Pedro Lima Vasconcellos
Doutorando em Ciências Sociais, assessor do CEBI-SP, professor da PUC-SP, Instituto Teológico Pio XI e Instituto do Sagrado Coração (abelha@cidadanet.org.br)

Rafael Rodrigues da Silva
Mestre em Ciências da Religião, assessor do CEBI-SP, professor da PUC-SP,Instituto Teológico Pio XI, Instituto do Sagrado Coração e ITESP (rafaeli@cidadanet.org.br)