


BOLO DE ANIVERSÁRIO
A festa do Descobrimento tem sabor agridoce este ano. Conflitante. O Brasil superou China, Austrália e Canadá e é agora o 3° maior exportador mundial de produtos agrícolas. O primeirão em álcool, café, suco de laranja, carne de frango, carne bovina, açúcar, fumo, e o 2° em soja, farelo de soja e milho. Conquistas desse porte não acontecem em um dia ou num ano, nem em dez Exigem muita terra, boa, clima favorável, apoio dos governos, e gente capacitada e disposta a dar o duro.
São prémios do esforço acumulado de gerações.
O Brasil vem dando certo há 510 anos. Superou etapas com rapidez e está na dianteira em tecnologia e desenvolvimento. Os imigrantes abrasileiram seus valores, se integram na modelagem de um brasileiro marcadamente cordial: 30 paises declararam o Rio a cidade mais acolhedora do mundo. O Cristo do Corcovado, de braços abertos, diz tudo.
São tantos os fatores favoráveis que não se pode atribuir ao acaso. Deve-se reconhecer: são bênçãos. Bênçãos concretas desde o nascimento. Quatro dias depois de avistado o Monte Pascoal, realiza-se o ato histórico fundamental: a Missa do Domingo de Páscoa, celebrada por frei Henrique de Coimbra. Ela é o selo oficial da descoberta e do futuro Brasil como nação. O próprio Cristo, presente na eucaristia, quis abençoar esta Terra de Santa Cruz e marcar a identidade cristã de seu povo.
Cinco séculos de fé. Os brasileiros balizam, com nomes de santos, os filhos, Estados, cidades, empresas, escolas. A igreja é o centro convergente da comunidade. Os valores morais cristãos permeiam a vida diária da família, do trabalho, dos negócios, da educação, da cultura, da política. Crucifixos e imagens ocupam espaço nobre nas casas, escolas, fábricas, escritórios, repartições públicas, hospitais. Para o povo sempre foi um direito este costume de identificar a sua fé.
Esta característica básica da alma brasileira, consolidada na história, é renegada pelo governo no seu PNDH 3 - Programa Nacional de Direitos Humanos. Ele aprovou a proibição de símbolos religiosos em espaços públicos. Fala em Estado laico, mas lembra bolchevismo fora de moda. Lá, proibiram a religião, perseguiram bispos e padres, transformaram igrejas em repartições públicas, mudaram São Petersburgo para Leningrado etc.
Aqui, poderão começar, removendo os crucifixos, tirando o Cristo do Corcovado, proibindo procissões e por aí vai. Em janeiro deste ano, a CNBB protestou contra esta e outras propostas do PNDH 3: a liberação do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos. São normas contrárias ao estatuto moral cristão do país. O Estado deixa de representar a nação, se renega sua identidade. Como salienta a CNBB :" Os símbolos religiosos expressam a alma do povo brasileiro e são manifestação das raízes históricas cristãs
Diferentemente dos nossos governantes, Kevin Rudd, primeiro-ministro da Austrália e líder do Partido Trabalhista, assumiu a identidade e foi taxativo:
"A maioria dos australianos crê em Deus. Esta não é uma posição cristã, política ou da extrema direita. Este é um fato, porque homens e mulheres cristãos, de princípios cristãos, fundaram esta Nação. Isto é historicamente comprovado. E é sem dúvida apropriado que isto apareça nas paredes de nossas escolas. Se Deus incomoda você, sugiro que você resolva viver em outra parte do mundo, porque aqui Deus é parte de nossa cultura".
Walter Maffra
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