


Muticom encerra com lançamento de Carta de Porto Alegre
 
O Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, que iniciou no dia 3 de fevereiro, encerrou neste domingo, 7, com a participação de cerca de 15 mil pessoas, de 18 países. Profissionais, estudantes, jornalistas, representantes de movimentos sociais, lideranças comunitárias, pastorais, interessados no tema, que durante cinco dias debateram e buscaram alternativas para a construção de uma comunicação comprometida com a paz, a justiça e a solidariedade.
Durante todo o domingo de encerramento foi mantida a visitação às tendas e a exposição de Fotografias de Arte Sacra e a Exposição de Arte Sacra Contemporânea, com obras premiadas. Na parte da tarde, aconteceram, ainda, no Teatro do prédio 40, as apresentações artístico-populares. Também foi realizada a Marcha Juvenil pela solidariedade e contra o extermínio de Jovens nas Américas e a exibição de filmes e documentários com temática relacionada à proposta do Mutirão (auditório do prédio 9). Às 18h aconteceu a celebração e a leitura da Carta de Porto Alegre, cuja produção foi feita durante o evento a partir dos debates e contribuições dos participantes. A ideia do documento, segundo o coordenador de comunicação, Attilio Hartmann, é definir que tipo de comunicação queremos e apontar caminhos para atingir este objetivo. “Nossa proposta é que esta carta sirva como uma espécie de mapa para os comunicadores, profissionais, estudantes, professores, que provoque a reflexão e trabalhe com a possibilidade de uma outra comunicação possível”, destaca ele. Em sua linha mestra, a carta dialoga com a proposta do Mutirão, de uma comunicação voltada para a cultura solidária. No fim do evento foi lançado o próximo Mutirão Brasileiro de Comunicação, que acontecerá em 2011, no Rio de Janeiro. Somos comunicadores e comunicadoras solidários com nossos povos e integrados plenamente no seu caminhar. Partilhamos os sofrimentos, as crises, as alegrias e as esperanças de nossas irmãs e irmãos. Por esse motivo, e ainda em meio à atual crise civilizatória, que se expressa, entre outros fatores, na mundialização das economias e na livre circulação de mercadorias e capitais especulativos, nos atrevemos a refletir e sonhar, alimentando a utopia e a esperança. Somos comunicadores e comunicadoras, pesquisadores, professores, jornalistas e estudantes da América Latina e do Caribe, reunidos em Porto Alegre (Brasil) de 3 a 7 de fevereiro de 2010, no Mutirão de Comunicação, no qual fomos convidados para analisar os “Processos de comunicação e cultura solidária”. O Mutirão propiciou o intercâmbio de experiências, de saberes e de comunhão em Jesus Cristo entre comunicadores e comunicadoras com diferentes trajetórias pessoais, profissionais, políticas, religiosas, culturais, unidos no compromisso e na responsabilidade comum com os povos da região que lutam pela dignidade, pela justiça e na defesa de uma democracia que seja capaz de garantir a vigência de seus direitos econômicos, políticos, sociais e culturais. Esta carta traduz nossos sonhos de futuro apoiados no compromisso político de concretizar uma utopia construída sobre a rica bagagem cultural e religiosa acumulada ao longo dos anos, que representa uma enorme riqueza de nossos povos e nossas culturas, especialmente indígenas, negros e migrantes, constituindo uma herança tantas vezes desprezada. Este rico legado, somado à vitalidade dos movimentos sociais, habilita o surgimento de atores que têm “direito a ter direito” e são os forjadores de nossa diversidade cultural. Com Dom Helder Câmara dizemos que “quando sonhamos sozinhos , é apenas um sonho; quando sonhamos juntos é o começo de uma nova realidade” (Mensagem de Natal, 1992). Por isso fazemos essa convocação para a ação que, sem abandonar um olhar analítico e crítico sobre a realidade política, social, cultural, religiosa e comunicacional, busca a construção de uma nova cidadania comunicativa que contribua à plena vigência dos direitos humanos e das condições de uma vida digna. Partilhando as incertezas naturais de quem está envolvido no processo histórico e social e sem pretender esgotar as propostas, mas com a firmeza de nossas convicções, saberes, experiências, sensibilidade e paixão, e inspirados e inspiradas pelo Evangelho de Jesus, sonhamos com: Sonhamos, enfim, com comunicadores e comunicadoras:
Carta de Porto Alegre
Autor/Fonte:
CNBB
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