


Carta Oficial - Conselho Superior do IPJ-RS
 
Porto Alegre, 18 de junho de 2010.
“Anunciar o evangelho não é para mim motivo de glória.
É antes uma necessidade que se me impõe.
Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho!” (1 Cor 9,16)
Exmos. Senhores Bispos e Membros do Clero do Regional Sul III da CNBB
Prezados Religiosos e Religiosas,
Caros membros de Pastorais, Centros e Institutos de Pastorais Juvenis, Movimentos,
Associações, Novas Comunidades e outros grupos organizados da Igreja Católica presente no
Rio Grande do Sul.
Deus vai exprimindo o seu amor pela humanidade ao longo de toda a História da
Salvação. Esse amor foi manifestado de modo particular na Criação, na Encarnação, na
Ressurreição e em Pentecostes. Todas essas intervenções na história humana foram realizadas
para possibilitar à humanidade participar e fazer a experiência do amor de Deus. Ele amou tanto
o mundo que deu o seu Filho Jesus para libertar os seres humanos do pecado, dando-lhes a
garantia de novos céus e de uma nova terra.
Ao chamar discípulos e discípulas para o seguimento, Jesus lhes deu uma missão muito
precisa: anunciar a Boa Notícia do Reino a todas as nações. Por isso, todo (a) discípulo (a)
tornou-se missionário (a), pois Jesus o fez partícipe de sua missão, ao mesmo tempo em que o
(a) vinculou como amigo (a) e como irmão e irmã. A partir de Pentecostes, a Igreja nascente vai
experimentando grande vitalidade divina que se expressa em diversos dons e carismas e
variados ofícios que edificam a Igreja e servem à evangelização. O Espírito Santo na Igreja forja
missionários (as) decididos (as) e corajosos (as) como Pedro, Paulo, Madalena, fundadores e
fundadoras de Congregações e outras pessoas que dão o sim generoso, indicando-lhes os lugares
que devem ser evangelizados e escolhe aqueles e aquelas que devem fazê-lo.
Os santos fundadores/as de Congregações Religiosas foram discípulos (as) enamorados
(as) de Jesus e depois se tornaram apóstolos entusiastas dele, tendo a capacidade de dar uma
resposta criativa aos desafios da realidade pluralista em que estavam inseridos (as). Muitos
deles/delas tiveram uma grande sensibilidade pela promoção, educação e evangelização dos/das
jovens e procuraram ser, no meio deles, sinais e portadores do amor de Deus que quer a
salvação de todos.
Dentro desta perspectiva, levando em consideração a realidade eclesial na América
Latina, no Brasil e no Estado do Rio Grande do Sul e as necessidades dos/das jovens, em 1980,
algumas Congregações Religiosas criaram o Instituto de Pastoral da Juventude (IPJ) em Porto
Alegre. O IPJ se tornou uma referência significativa no Continente, no Brasil e no Estado em
termos de formação, pesquisa e assessoria. É inegável o precioso serviço que esta Instituição
prestou e continua prestando à Igreja, à sociedade e especialmente aos jovens ao longo das três
décadas de sua existência.
Contudo, a realidade social, política, religiosa, cultural, econômica e juvenil modificou
substancialmente nas últimas duas décadas. Nos últimos anos, os responsáveis pela manutenção
do IPJ começaram a se questionar sobre a significatividade e a incisividade da Instituição nos
novos cenários e foram buscando caminhos possíveis dentro da experiência intercongregacional,
procurando sempre qualificar o atendimento aos destinatários preferenciais.
E, levando em consideração os novos cenários, o contexto, o tempo, os lugares, as
pessoas e circunstâncias da realidade atual; os grandes clamores de tantos jovens; a reflexão dos
Bispos das Dioceses presentes no Regional Sul III da CNBB; o Documento 85 da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil; o compromisso profético da Vida Religiosa e da Igreja em
relação aos jovens; a necessidade de somar forças, ampliando parcerias, o Conselho Superior do
IPJ, apoiado pelos Conselhos Provinciais das Congregações responsáveis pelo IPJ, decidiu
desencadear um processo de redimensionamento do mesmo.
Após diálogo, entendimento e acolhida da proposta pela Conferência dos Religiosos no
Rio Grande do Sul (CRB/RS) e pelo Regional Sul III da CNBB, foram iniciadas as tratativas
para o redimensionamento efetivo do IPJ. O atual Conselho Superior e a Equipe Executiva do
IPJ decidiram continuar o trabalho para e com as juventudes, porém, com outra forma de
organização a ser construída em parceria com o Regional Sul III da CNBB, na ótica do que
prescreve o Documento 85 da CNBB. A ideia fundamental que está sendo refletida é que o
Setor Juventude do Regional Sul III da CNBB seja uma instância de articulação que continue
privilegiando a formação e assessoria, visando o atendimento dos jovens mais necessitados
deste tipo de acompanhamento.
O IPJ como Instituição, nos moldes que se encontra no momento, manterá suas
obrigações em termos de articulação, formação e assessoria até dia 30 de janeiro de 2011, com
um cronograma bem definido pelo Conselho Superior. A partir daí, o atendimento às juventudes
nas áreas supracitadas será feito dentro da nova modalidade com as Instituições parceiras que
querem manter viva e atuante a presença entre os jovens, acompanhando-os na construção do
seu projeto de vida e cidadania.
Agradecemos a Deus e a todos (as) que contribuíram com a caminhada do IPJ, na
permanente busca de alternativas para acertar e atualizar essa proposta, também com recursos
humanos e financeiros.
O Espírito de Jesus assista todas as pessoas desejosas de servir verdadeiramente às
juventudes e que estarão implicadas nesse processo de redimensionamento para que encontrem
o caminho adequado dessa construção coletiva, tendo em vista o crescimento do Reino de Deus,
do qual a Igreja é sinal.
Atenciosamente,
Membros do Conselho Superior do IPJ
P. João Geraldo Kolling SJ P. Orestes Fistariol, SDB
Ir. Gertrudes Salete Beal, CSJ Ir. Maria Eloni Coczenski, IDP
P. Raimundo Pauletti, CSJ Ir. Inácio Etges, FMS
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